Aprendizados

Não a conheci, porém, ela vive em mim. Fala comigo, cochichando ao meu ouvido, me guiando pelas estradas da vida.

Juntas, caminhamos pelos campos, subimos montanhas, nadamos em rios e mares, tomamos banhos em lindas cachoeiras e corremos pelas matas.

Com ela, e através dela, vejo flores, insetos, aves, enfim, todos os tipos de vida, com olhos de amor e muito respeito.

E a minha paixão por cristais também está ligada aos ensinamentos dela, que os usava para energizar, limpar e curar as pessoas que lhe pediam ajuda. Ela me ajudou a aprender sobre as suas cores, formas, desenhos e propriedades curativas.

De mãos dadas, quando vamos colher ervas medicinais, ela me conta que estas plantas maravilhosas doam sua energia vital para nos curar! Com naturalidade, ela me ensina a segurar as ervas, sentir sua energia e seu aroma e sempre me mostra plantações para que eu entenda que nosso alimento não nasce nas prateleiras dos mercados, mas vem da terra que nos sustenta.

Aprendi com ela a escutar o silêncio, no entanto, quando quebrado pelos sons dos animais, pelo farfalhar das folhas, pelo ir e vir das ondas do mar, pelas cachoeiras, pelos trovões, dentre tantos outros sons, todos os tipos de manifestações são importantes. Tudo isto ela me mostrou, pois me ensinou a observar a natureza.

Andar descalço e tomar chuva não nos adoece! É cura! É bênção! Aprendi! 

Unidas, respeitamos o sol, a chuva, o vento, o dia e a noite e adoramos os mistérios do céu noturno, momento que olhando para a profundidade da noite, com ela, oro em silêncio, nada pedindo, mas somente agradecendo. Agradecendo por todas as lições.

Tudo isto e muito mais, ela me ensinou e me ensina, dia a dia.

Maria Curandeira era seu nome para os familiares. Ela, cujo nome em Tupi-Guarani não me lembro, foi minha bisavó paterna que nasceu no final dos anos de 1880 no norte de Minas Gerais, por quem tenho imenso carinho, respeito e gratidão!

O texto faz parte da Coletânea ORIGINARIAS – A força criativa do legado feminino, organizado pela AJEB – ASSOCIAÇÃO DAS JORNALISTAS E ESCRITORAS DO BRASIL

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Qual é a sua intenção?

Qual é a sua intenção?

A melhor solução para um problema é aquela que você pode encontrar dentro de si. Essa é uma reflexão rápida para estimular mais momentos de felicidade em sua vida.

 

Por um lado, há uma ligação íntima e dinâmica entre como percebemos nós mesmos, os outros e o entorno e, por outro, a maneira pela qual experienciamos tudo isso. Essa percepção influencia o modo como agimos. Em outras palavras, nossas emoções definem nosso comportamento, pensamentos e percepções. A visão de mundo pode ser completamente diferente para duas pessoas na mesma vizinhança, com o mesmo nível socioeconômico, se elas tiverem perspectivas opostas. Buda (563-483 a.C.) reforça esse entendimento, que já é comprovado cientificamente, quando citou: “Nós criamos o mundo com nossos pensamentos”. Ele percebeu que nossos pensamentos, nossas emoções e nossas ações são as principais fontes de sofrimento, mas também de nossa alegria e nossa liberdade.

 

Tudo o que reside dentro de nós constrói aquilo que habitará outros espaços, contextos e pessoas, isto é, a partir de como nos relacionamentos conosco expressamos comportamentos e entendemos sinais. Nossas relações interpessoais são dependentes e influenciadas pela forma como nos encontramos internamente, ainda que nossas emoções não sejam explícitas; pelo contrário, estejam reprimidas.

 

“Qualquer um pode ver que pretender e não agir quando podemos não é realmente pretender, e amar e não fazer o bem quando podemos não é realmente amar”, afirmou o filósofo sueco Emanuel Swedenborg (1688-1772). Quando nossas aspirações incluem o bem-estar e a felicidade de outros, nossas ações e nossa vida como um todo adquirem um propósito maior que nossa existência individual. 

 

Há diversas técnicas, métodos e conhecimentos que podem fazer a diferença em nossa vida e na de outras pessoas, inclusive hábitos de motivação e intenção.

 

Motivação para fazer algo é uma ou mais razões por trás daquele comportamento, a fonte de nosso desejo e o ímpeto de realizá-lo, ou seja, tudo que nos anima e pode ser estimulado a partir de um ciclo de desejo e recompensa.

 

Já a intenção é a articulação de uma meta consciente. Ela pode influenciar nosso humor, nossos pensamentos e sentimentos. Portanto, se estabelecermos uma intenção pela manhã, criamos o tom do dia e escolhemos o tipo de experiência que queremos ter. Podemos incorporar esse hábito e potencializar o nosso bem-estar. É algo simples, mas não necessariamente fácil. 

 

Esse pequeno passo que está acessível a todos demanda disciplina, assim como dedicar mais tempo às reflexões.

 

Quando estabelecemos uma intenção pela manhã, precisamos completar o ciclo que foi iniciado com uma avaliação, isto é, ao final do dia se reconectar com o propósito estabelecido, investigando de forma curiosa e não julgadora, como foi materializado ou não e se alegrando com o que foi conquistado. Para viver nossa intenção de forma verdadeira, é necessário estabelecê-la e restabelecê-la sempre. Uma grande oportunidade é encontrar forças e motivação nesta avaliação. Contudo, podemos não alcançar essa meta e, quando isso acontece, é fundamental não nos penalizarmos com julgamentos negativos ou autocríticas. Devemos apenas reconhecer a diferença entre intenção e ação e tentar de novo no dia seguinte. Esse ato contínuo nos mostra que temos uma escolha que, por si só, pode nos dar uma sensação mais intensa de controle.

 

Trata-se de uma consciência que nos deixa mais atentos e possibilita novas oportunidades para que pensamentos e ações cotidianas estejam mais alinhados com nossas metas.

 

Há benefícios adicionais, como o autoconhecimento e a autopercepção, para identificar situações e momentos, nos quais ainda temos a possibilidade de nos autorregularmos, em vez de transformarmos nossas emoções em atitudes impulsivas ou até desastrosas.

 

Também nos leva a ter mais confiança, segurança e, é claro, potencializar as relações com todos, inclusive conosco.

 

E antes de encerrarmos essa provocação, tenha em mente que é essencial estabelecer uma intenção, mas também é importante saber qual intenção estabelecemos. Todos nós já enumeramos muitas metas, desde planos de carreira, estudos até dietas e mudanças de hábitos de saúde. Sabemos que uma intenção, mesmo que seja realmente sincera e boa, está muito longe de ser um fato consumado. Em nosso cotidiano, a relação entre nossas intenções conscientes e nossas motivações não tão conscientes que influenciam nossos pensamentos e ações é complexa. Contudo, com consciência e reflexão persistentes podemos tornar nossas motivações cada vez mais alinhadas com nossas intenções. 

 

E há um modo simples sugerido pelo Dalai Lama que facilita muito a verificação das nossas motivações. Ele pede que façamos estas três perguntas:

1. Isso é só para mim ou para os outros?

2. Pelo benefício de pouco ou de muitos?

3. Para agora ou para o futuro?

Essas perguntas nos ajudam a esclarecer com objetividade e critério, novamente sem julgamento, nossas motivações. Assim como trazem compaixão a nossos pensares e atitudes. Podemos usar esse método antes de uma ação, decisão, enquanto já estamos realizando ou mesmo ao final do dia. Lembre-se de que sempre haverá a oportunidade de restabelecer nossa intenção com a chance de agir de acordo com ela, pois amanhã é sempre uma oportunidade de aplicar o aprendizado de hoje.

 

Um provérbio tibetiano já dizia: “Ficamos à mercê de nossos pensamentos e nossos pensamentos ficam à mercê de nossas emoções negativas e dessa maneira nós sabotamos”. Quando podemos aquietar a mente e não a perturbar com nossas rajadas costumeiras de pensamentos – expectativas, apreensões e julgamentos – enxergarmos a verdade dos fatos com maior clareza, descobrimos o que realmente importa, o que serve a nosso propósito e o que precisamos fazer.

 

Com frequência somos nossa própria “pessoa difícil”. Por isso, meu convite é para que você inclua, junto comigo, um pequeno hábito que pode promover um grande resultado na sua jornada. Vamos tentar hoje?

Nota: Esse texto foi criado a partir de muitos recortes de Um coração sem medo, de Thupten Jinpa. Tomei a liberdade de construir uma sequência cronológica diferente do que se apresenta na obra, bem como ajustar e incluir novos trechos. Caso tenha gostado, leia o citado livro na íntegra. Ele traz muitas oportunidades de aprofundamento acerca da Compaixão, bem como exercícios e práticas para impulsionar sua conexão consigo, com os outros e com toda a humanidade.

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A massa do pão

Quando minha filha mais velha era pequena nós fazíamos pãezinhos juntas. Ela “me ajudava!”

Hoje não os faço mais porque a vida mudou de rumo, mas a lembrança daqueles momentos de ternura veio me visitar e vejo as minhas mãos e as mãozinhas dela dando forma aos pequenos pedaços da massa, pondo as bolinhas que “deveriam ser de tamanhos semelhantes” na assadeira, respeitando as distâncias entre elas e cuidando do tempo de crescimento.

Depois disto tudo feito, eu lhe dava a importante função de me avisar quando a pequenina bolinha de massa posta no copo com água subisse! Notícia que me era dada com a alegria e a simplicidade de uma criança: “Mamãe! A bolinha já subiu!”, me pegando pela mão e me levando até a cozinha para ver a bolinha no alto do copo, como se tudo fosse mágico.

Claro que alguns pãezinhos eram comidos ainda mornos, com a manteiga derretendo, e outros eram guardados para o papai!

Sim! As coisas simples são as melhores!

“Crescer!” palavra interessante!

O pãozinho cresceu, a filha cresceu, veio a segunda filha que também cresceu, eu cresci, e nossos relacionamentos cresceram.

Mas “tudo” aquilo que recebe nossa atenção, nossa energia, e nosso amor, cresce! As coisas boas e as coisas ruins também!

Pãezinhos, pessoas, amizades, relacionamentos, conhecimento, plantas, animais… e ainda o amor, a alegria, a raiva, a dor, a tristeza, o medo…Tudo!

Então alimentar somente o que é bom para nós faz muito sentido! E o momento certo para começarmos a fazer isto é “agora”, para que a alegria, o amor e tudo de bom, belo e bonito cresça como os pãezinhos e permaneça vívido em nós.

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Esquecimento

Era domingo e ter mais tempo livre fez com que eu fosse para o jardim, “fazer nada”.

Mas para mim, este “fazer nada” significa estar lá com os olhos de ver o belo, mas mais do que ver, sentir o belo e deixá-lo entrar em mim.

Sim! Quando estamos abertos para o belo, sem medos, sem julgamentos, o belo se faz presente em suas infinitas formas

Nestes momentos, em meu silêncio interior, aprendo sobre as cores em todas as suas nuances, observando e absorvendo as flores, as folhas, as árvores…a vida!

Além da aula sobre as cores, há a aula sobre a velocidade, pois o tempo entre o plantio e a flor é variável em todas as espécies! A velocidade da lesma comparada à da formiga faz esta lição ser muito fácil de ser aprendida.

Observar as abelhas e as vespas trabalhando incessantemente, de flor em flor para que tenhamos frutos é a lição sobre “termos asas para voar e produzirmos nossos frutos”!

Foto: Ilustração

Adoro as lições sobre as formas, pois há lindas mandalas nelas! Vale destacar que só no meu jardim encontro muitos adjetivos, como frágil, forte, longo, curto, fino, grosso, alto, baixo, velho, novo, retilíneo, curvilíneo, arredondado, triangular… Imagine o que podemos ver em uma floresta!

O jardim ainda me conta segredos sobre cheiros e perfumes, quando me lembro que muitos fogem da Maria Fedida e se encantam com os perfumes dos lírios, dos jasmins e de outras flores.

Seguir o canto dos pássaros, notar o zumbido de um inseto, ouvir o farfalhar das folhas ao vento e virar o corpo rapidamente ao som de uma grande folha que cai, nos ensina sobre o silêncio e os sons. Os sons das manhãs são totalmente diferentes dos sons da noite, que muitas vezes são misteriosos.

Há muito mais no meu jardim, mas o lindo de tudo isto é observar a PERFEIÇÃO DA NATUREZA, em todas as suas formas, em todos os seus reinos e nos lembrarmos que “somos” natureza, e temos a nossa diversidade.

“Esquecemos o que as pedras, as plantas e os animais ainda sabem. Esquecemos como ser – ser calmos, ser nós mesmos, estar onde a vida está: Aqui e Agora” ~ Eckhart Tolle em O Poder do Silêncio.

E mesmo que não estejamos sós nestes momentos, cada um vai ver com os olhos que tem, e está tudo certo! Um dia todos veremos o formato das folhas da planta chamada “Coração emaranhado” e sorriremos diante da sua delicadeza, nos lembrando que

“Há um grande silêncio envolvendo toda a natureza num abraço. Esse silêncio também envolve você!” ~ Eckhart Tolle em O Poder do Silêncio.

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