Autoridade

Autoridade

Neste capítulo, trago uma referência do que pode conduzir a humanidade para o tão necessário processo de evolução: a autoridade para influenciar e sermos  influenciados na direção dos  importantes propósitos que precisamos realizar juntos. Apresento um caminho  para que possamos construir  autoridade, a fim de alcançar, da melhor maneira possível, o futuro desejado.

Izabela Mioto

Eu lhe concedo autoridade porque acredito na sua intenção.

Eu lhe concedo autoridade porque não me sinto ameaçado(a) por você.

Eu lhe concedo autoridade porque você inclui a minha perspectiva.

Eu lhe concedo autoridade, pois vejo coerência em suas atitudes.

E quando lhe concedo autoridade, me percebo melhor, evoluo.

– Izabela Mioto

Autoridade é uma relational skill essencial, pois é capaz de conectar pessoas a bons propósitos. Explico. Parto do princípio de que pessoas que adquiriram níveis de consciência mais elevados, quando conquistam autoridade, facilitam o processo evolutivo da humanidade. Os mais conscientes sobre as condições climáticas podem mobilizar indispensáveis hábitos com o meio ambiente. Aqueles que compreendem como conquistar equilíbrio emocional, quando autorizados, contribuem para diminuir os altos índices de adoecimento emocional. Necessitamos de quem saiba como percorrer o caminho para genuinamente indicar a direção de nobres ideias para a edificação do futuro que desejamos. 

Neste capítulo, enfatizo que existe um processo para que a autoridade seja conquistada. Quem lhe concede autoridade é outro. Você pode até ter poder, mas isso não lhe concede autorização para influenciar outra pessoa na direção do que deseja. Um famoso livro, escrito por James Hunter (2004), O monge e o executivo, ao citar a diferença entre poder e autoridade, explica que ela se dá por meio da capacidade de influenciar as pessoas por meio do respeito que se conquistou. Ao exercer autoridade, por exemplo, uma liderança é capaz de inspirar de maneira positiva seus liderados, pois eles acreditam naquilo que devem realizar e passam a se conduzir de maneira espontânea e automotivada para atingir os resultados. O capítulo sobre Liderança Humanizada, escrito pela idealizadora desta obra, Lucedile Antunes, complementa muito bem o tema da autoridade. Compreender e exercitar a humanidade que nos habita facilita o processo de conexão com os liderados. 

E o poder? Ele, muitas vezes, pode até ser concedido a pessoas que não conquistaram autoridade. Mas o risco que se corre é que uma pessoa se sinta forçada a fazer algo, mesmo não acreditando naquilo. Uma motivação extrínseca pode ser acionada pelo poder, sendo ela um salário no final do mês, o medo de perder um emprego ou, até mesmo, o receio pessoal de não pertencer ou não ser validado(a). Poder deveria andar junto à autoridade. Nosso querido filósofo e professor Mario Sergio Cortella, há algum tempo, citou esta expressão: “Um poder que se serve, em vez de servir, é um poder que não serve”. Nosso poder deveria servir a um propósito que vai além das demandas dos egossistemas. O bom poder combina com alguém capaz de ter uma visão interdependente, mobilizando que se realize algo que seja bom para si, para os outros e que colabore para a evolução dos ecossistemas em que estamos inseridos.

Como construir o caminho da autoridade?

No livro Conversas decisivas, os autores afirmam que “As pessoas raramente ficam na defensiva por conta do que você está dizendo (conteúdo), elas ficam na defensiva por conta do motivo pelo qual elas pensam que você está dizendo algo (intenção)”. A primeira reflexão a se fazer no processo de construção da autoridade é se as pessoas acreditam e compreendem sua intenção. Aqui temos algo simples a se fazer: comunicar a intenção. Ao iniciar uma conversa em que precisa dizer para o outro que uma de suas atitudes não é adequada, você poderia começar dizendo sobre a intenção que tem de ajudar no processo de desenvolvimento do outro e no estabelecimento de melhores relações interpessoais para sua vida.

Um segundo ponto relevante nessa trajetória é mobilizar a percepção de que existe um ambiente emocionalmente seguro nessa relação. Nesse aspecto, a segurança psicológica se faz essencial. Uma pesquisa feita pelo Google, com 180 equipes com bons resultados, que recebeu o título de “Projeto Aristóteles” (APPUS, 2023) e teve o intuito de compreender quais são os principais fatores que mobilizam a alta performance, revelou que o que condiciona uma equipe de sucesso são: segurança psicológica, confiabilidade, estrutura e clareza, significado e impacto. Enfatizo que a segurança psicológica se demonstrou nesse estudo um fator que tem quatro vezes mais impacto do que os demais, isto é, quatro vezes mais impacto para um time se tornar de alta performance.

De acordo com Amy Edmondson (2020), que escreveu A Organização sem medo, segurança psicológica é a crença de que temos um ambiente seguro para corrermos riscos interpessoais; quando nos sentimos confortáveis em nos expressar livremente, sermos nós mesmos, sentimo-nos à vontade para compartilhar nossas preocupações e nossos erros sem medo de constrangimento ou represália. Com segurança psicológica, o outro não se sente ameaçado na relação e não se coloca em uma condição defensiva, mas sim de abertura.

Costumo citar em minhas palestras que, no final do dia, tudo o que nós, seres humanos, desejamos é pertencer e acreditarmos que somos relevantes. Por isso, um terceiro e decisivo passo é substituir julgamentos rígidos pela inclusão de perspectivas. Atenção: por mais que não se concorde com a perspectiva alheia, você pode compreender por que o outro pensa, sente ou age de determinada maneira. Quando há compreensão, o outro não se sente ameaçado e abre espaço para também ouvir e incluir sua perspectiva, concedendo-lhe autoridade.

Geralmente, admiramos pessoas que têm discursos eloquentes, com oratórias dignas de nota, mas perdemos rapidamente essa admiração quando nos damos conta de que suas atitudes são incoerentes com suas palavras. Isso até pode acontecer, pois, nesse caminho, você vai errar, esquecer e ultrapassar limites. Não ignore suas atitudes. Seja humilde, volte atrás, peça desculpas, converse sobre suas inconsistências. Ao se perceber mais humano e menos super-herói, você se conecta com a humanidade que habita em si, o que também facilita a construção de autoridade. Seja coerente, dê exemplo e conquiste admiração por suas atitudes.

Um último ponto citado refere-se ao resultado que a influência gerada por meio da autoridade traz. Você deve se lembrar de um momento na sua vida em que a emoção negativa entrou em cena e quase o sequestrou, desviando sua atitude do que realmente desejava para aquela situação. Foi quando alguém, com tranquilidade e amorosidade, olhou para você, sem julgamento, fez uma pergunta poderosa ou deu um conselho. Aquela fala fez total sentido, porque sentiu que o outro realmente se importava com você. Ele o ajudou a se reconectar com sua intenção, diminuir os níveis de emoção negativa, prometendo uma reflexão crítica e mais racional sobre a situação. Você concedeu autoridade para que ele o influenciasse. E isso fez que você pudesse manter a integridade consigo mesmo(a), com sua intencionalidade. Um sentimento de gratidão, tranquilidade e uma sensação de que tudo estava no seu devido eixo tomou conta de você. E o vínculo com aquela pessoa se fortaleceu. Você evoluiu.

A experiência gerada por uma influência positiva, por meio da autoridade, teria um impacto benéfico até mesmo em nossa saúde. Goleman (2019) enfatiza que nossos relacionamentos moldam não somente nossa experiência, mas também nossa biologia. De acordo com Humberto Maturana e Francisco Varela, no livro A árvore do conhecimento, eu só aprendo quando me conecto – o imperativo da evolução é me conectar. Tudo o que está acontecendo é porque estamos desconectados. Assim, a autoridade permite que a influência ocorra e aumente nossos níveis de conexão, facilitando nosso processo de evolução.

Relato sobre conquista de autoridade

O gerente João chega esbravejando na frente da equipe. Uma das áreas de interface do projeto não tem cumprido o combinado e a entrega, tão importante ao cliente, talvez necessite ser postergada. As pessoas ouviram com atenção o desabafo do líder. Alguns disseram: “Isso é um absurdo, não podemos penalizar nosso trabalho porque os outros são incompetentes”.

O diretor da área entra na sala, fica sabendo do ocorrido. Muda até o semblante, bate na mesa, em sinal de desaprovação. Todos se calam. Ele diz que a ordem é entregar o projeto na data especificada, que todos deveriam ter acompanhado as etapas e que o problema é de todos. Boa parte das pessoas na sala sente-se incompreendida, pois tem consciência de que entregou seu melhor e acha que não é justo ouvir aquilo daquela forma. Ficam desanimadas. 

José, o estagiário, percebe o clima ruim que foi gerado. Ao término da reunião, convida o gerente João para tomar um café na padaria da esquina, a fim de falar sobre o projeto. 

Ele começa a conversa dizendo quanto aprecia a atitude de João em cumprir os prazos e entregar os projetos com o máximo de excelência, reforça sobretudo o que já aprendeu com ele e que tem a intenção de contribuir com uma perspectiva que pode ajudar. José pergunta qual é a opinião dele em relação à sua ideia: mobilizar, temporariamente, uma equipe de trabalho para apoiar a área que está com dificuldades. João responde que não acredita nessa possibilidade, pois o coordenador da área é muito individualista. José faz que sim com a cabeça, mas não desiste. 

Ele busca ampliar a perspectiva de João. “E se você disser a ele que, por ter participado do planejamento inicial, a sua equipe tem informações que podem facilitar? O que nós perderíamos com essa tentativa?”. Estou disposto a fazer parte dessa equipe temporária e lhe digo que, na semana passada, levei uma ideia que vi na faculdade para esse coordenador. E, ontem mesmo, recebi um e-mail agradecendo e que a ideia foi validada. 

Mais calmo, João já cogita essa possibilidade. Chega cedo no dia seguinte e se dirige para a sala desse coordenador. Começa dizendo a ele que tem a intenção de ajudar e que pensou em uma estratégia para não perderem o prazo. Dá a ideia da equipe de apoio temporária. Sem precisar ir adiante, um sorriso se abre e o coordenador diz a João: “Nunca imaginei que você fosse tão empático, que pudesse mobilizar sua equipe para nos ajudar. Muito obrigado, João; fico feliz e aceito”. 

José ousou comunicar sua intenção. Ele demonstrou que validava as atitudes do gerente João, incluiu sua perspectiva e deu exemplo de uma de suas atitudes, revelando coerência naquilo que estava propondo. O resultado? Todos evoluem nesse processo e encontram a forma mais íntegra de resolver os desafios, melhoram os níveis de conexão entre si e ainda entregam seu melhor para o cliente. E tudo isso porque José, o estagiário, construiu o caminho da autoridade. 

E você? Já pensou em que gostaria de ter autoridade? Trilhe esse caminho e contribua com o ciclo de evolução tão necessário. 

Referências

APPUS HR. Inspire-se no Projeto Aristóteles desenvolvido pela Google.
Disponível em: <https://www.appus.com/blog/people-analytics/
projeto-aristoteles/>. Acesso em: 08 jun. de 2023.
EDMONDSON, A. A organização sem medo. Criando segurança psicológica no local de trabalho para aprendizado, inovação e crescimento. Rio de Janeiro: Alta Books, 2020.
GOLEMAN, D. Inteligência social: a ciência revolucionária das relações humanas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2019.
HUNTER, J. C. O monge e o executivo. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.
MATURAMA, H. R.; VARELA, F. J. A árvore do conhecimento – as bases biológicas da compreensão humana. Palas Athena. Edição original, 2001.
PATTERSON, K.; GRENNY, J.; McMILLAN, R; SWITZLER, A. Conversas decisivas – técnicas para argumentar, persuadir e assumir o controle nos momentos que definem sua carreira. São Paulo: Campus, 2003.

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Dinâmicas de Team Building: fortalecendo equipes e impulsionando o sucesso empresarial

Dinâmicas de Team Building: fortalecendo equipes e impulsionando o sucesso empresarial

Já sentiu como se sua empresa não estivesse no caminho certo? Ou então, que nunca consegue encontrar as pessoas certas para trabalhar na sua organização? O problema não está em você e, muito menos, nas pessoas que estão contigo. 

No mundo corporativo altamente competitivo de hoje, a eficácia das equipes é crucial para o sucesso de uma empresa. Para atingir metas e enfrentar desafios, é fundamental que os membros da equipe trabalhem juntos de forma sinérgica e produtiva. É aí que entram as dinâmicas de Team Building.

As dinâmicas de Team Building são uma abordagem estratégica para melhorar o desempenho e a coesão das equipes dentro de uma organização. Seu objetivo principal é promover o fortalecimento das relações entre os membros da equipe, construir confiança, melhorar a comunicação e incentivar a colaboração. Para gestores de empresas que desejam alavancar o potencial de seus colaboradores, compreender e implementar dinâmicas de Team Building é essencial.

O que são dinâmicas de Team Building?

Dinâmicas de Team Building são atividades planejadas e estruturadas que visam melhorar a dinâmica de grupo e o desempenho das equipes de trabalho. Essas atividades podem variar amplamente, desde jogos simples até práticas complexas, e são projetadas para atender às necessidades específicas de cada equipe e organização.

O termo “Team Building” se traduz literalmente como “construção de equipe,” e é exatamente isso que essas dinâmicas buscam realizar. Elas ajudam a construir uma base sólida para o trabalho em equipe, onde os membros se conhecem melhor, entendem suas habilidades e limitações, e aprendem a trabalhar juntos de maneira eficaz. Por isso a dinâmica do Team Building é tão importante, uma vez que, um grupo de pessoas reunidas não é sinônimo de um time.

Perceba os benefícios

Fortalecimento do Vínculo da Equipe: As dinâmicas de Team Building permitem que os membros da equipe desenvolvam relacionamentos mais sólidos. Quando as pessoas se conhecem em um ambiente mais descontraído, torna-se mais fácil confiar e colaborar. Relações interpessoais criadas de formas positivas, aumentam as chances de sucesso.

Melhoria na Comunicação: Muitos problemas nas empresas são decorrentes de falhas na comunicação. As dinâmicas de Team Building enfatizam a importância da comunicação eficaz, permitindo que os participantes melhorem suas habilidades de escuta, expressão e feedback.

Aumento da Motivação: Algumas pessoas querem se sentir pertencentes à alguma organização. Por isso, equipes mais coesas e bem relacionadas tendem a ser mais motivadas. Quando as pessoas se sentem valorizadas e apoiadas, estão mais dispostas a se empenhar e dar o seu melhor.

Resolução de Conflitos: Conflitos são inevitáveis em qualquer ambiente de trabalho. As dinâmicas de Team Building fornecem uma plataforma sólida e um espaço seguro para abordar e resolver conflitos de forma construtiva, ajudando a evitar tensões prolongadas.

Aprimoramento das Habilidades de Resolução de Problemas: As atividades desafiadoras nas dinâmicas de Team Building incentivam os participantes a desenvolverem habilidades de resolução de problemas e pensamento criativo, que são valiosas no local de trabalho.

Aumento da Produtividade: Quando as equipes estão bem integradas e funcionam bem, a produtividade tende a aumentar. As dinâmicas de Team Building podem levar a uma melhor alocação de tarefas, otimização de processos e maior eficiência.

Team Building na prática

Existem muitas dinâmicas de Team Building, e a escolha certa depende das necessidades e objetivos da equipe. Alguns exemplos comuns incluem:

Jogos de quebra-gelo: Atividades curtas e divertidas para ajudar os membros da equipe a relaxar e se conhecerem melhor.

Trabalho em grupo: Tarefas que requerem cooperação e solução de problemas em equipe.

Desafios ao ar livre: Atividades ao ar livre que promovem o trabalho em equipe, como escalada, tirolesa ou acampamento.

Workshops de habilidades: Oficinas focadas em melhorar habilidades específicas, como liderança, comunicação ou resolução de conflitos.

Atividades baseadas em projetos: Projetos que envolvem toda a equipe em um esforço colaborativo, como organizar um evento de caridade.

Um case de sucesso ARH:

"Team Building é sempre um momento marcante na jornada dos colaboradores, muitas vezes é realizado no planejamento, no fechamento ou ainda durante o ano fiscal. Conseguimos perceber na fisionomia das pessoas o quanto essa dinâmica, quando bem estruturada e customizada, tem impacto positivo na consolidação de aprendizados práticos e na dinâmica de relacionamentos. Alguns clientes já entenderam o valor desta programação e realização ao menos um vez por ano. Na ARH consideramos como um presente, por isso, nos empenhamos com robustez e capricho na entrega de uma programação que gere muito valor percebido e transformação na prática."

Marília Camargo

Arquitetura RH

Conclusão

As dinâmicas de Team Building são uma ferramenta poderosa para gestores de empresas que desejam fortalecer suas equipes e melhorar o desempenho organizacional. Ao promover o fortalecimento das relações, melhorar a comunicação e incentivar a colaboração, essas atividades contribuem para um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.

À medida que as empresas buscam se destacar em um mercado cada vez mais competitivo, investir no desenvolvimento de equipes coesas não é só mais uma despesa, é um aparato essencial em qualquer organização. As dinâmicas de Team Building oferecem uma maneira eficaz e divertida de alcançar esse objetivo, resultando em equipes mais fortes, colaborativas e motivadas, prontas para enfrentar desafios e alcançar o sucesso.

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Letramento racial, para quem se destina?

Letramento racial, para quem se destina?

Suponhamos que você lidera um time, no qual há um colaborador com dinâmicas bem particulares – ele, em sua atuação, sempre consegue vantagens e privilégios sobre os demais. E essa diferenciação não ocorre porque ele seja mais inteligente, mais sagaz, mais preparado ou qualquer outra competência de destaque, mas, sim, porque ele conseguiu uma brecha na empresa e vem aplicando suas táticas que geram vantagens unicamente para si mesmo. Como você agiria diante dessa injustiça? Manteria suas práticas como de costume ou faria uma intervenção em prol do coletivo? Aposto que faria o melhor, ou seja, uma reparação para essa situação.

   Letramento é um conceito que vem se popularizando. Quanto mais estudamos, mais percebemos que precisamos nos aprofundar nas temáticas, assim como nas tendências. Então, surgem as novas demandas, a exemplo do letramento digital, mas também ganham força as temáticas mais estruturantes, entre elas o letramento racial, o emocional, entre outros. Letramento racial é para todos! Por meio dele acessamos o conhecimento histórico que nos falta para compreender que muitos crimes foram cometidos e que para diminuir o impacto traumatizante que foi gerado, temos de realizar reparações sociais.   

    Vivemos em comunidade e somos interdependentes; portanto, o todo nos afeta e nós afetamos o todo. Sem romantismos, de fato, temos nossas responsabilidades na sociedade, além de ética e cidadania. Há um compromisso com nossos ancestrais e com as gerações futuras. Somos o resultado das diversas decisões que foram tomadas antes de nós. Escolhas essas que para muitos geraram privilégios e para outros estabeleceram dificuldades. Não basta seguirmos rumo a um futuro melhor. Precisamos atuar em um presente mais justo e colaborativo. Devemos intervir para que mais oportunidades e acessos sejam gerados àqueles que foram privados.

    Historicamente o mundo gerou e continua promovendo guerras. Desde os primórdios da civilização as batalhas se estabeleceram com a perspectiva de escassez. Entendia-se que era preciso lutar para conquistar algum recurso para si, ao mesmo tempo que o privava do outro. Com isso buscava-se o suprimento das necessidades pelos diversos grupos. Conforme um combate acontecia, o ganhador escravizava o povo que sucumbira na batalha até que houvesse uma nova disputa e o cenário fosse alterado. A escravização, nessa conjuntura, se fazia móvel. Ela era determinada pelo vencedor que ora era um povo, ora outro.

    Contudo o contexto nas Américas, e, por conseguinte no Brasil, teve um grande diferencial, a sua determinação. O povo escravizado não foi um grupo que perdeu a batalha, mas um coletivo de pessoas que, a partir de características físicas, foi subjugado como servidor e, com isso, fixou-se privilégios para alguns de forma atemporal. Ou seja, o povo escravizado não teria oportunidade de ascender na sociedade. Pelo contrário, seria sempre escravizado, ele nasceria escravizado. Esse entendimento partiu de uma desumanização de pessoas, provocando uma marca indelével, uma mancha na alma e a perpetuidade pela sua descendência.

    A raça passa a ser uma construção branca. A branquitude constitui-se Ser a partir do outro enquanto Não Ser. O branco se coloca como referência em todo e qualquer padrão e faz uma alteração negativa – reconhecendo a diferença no outro, e ao mesmo tempo, hierarquizando a partir dessa diferença. A verdade é que o padrão da sociedade vai além da raça, ele engloba diversos outros marcadores e os hierarquiza da mesma forma, por gênero, por idade e tantos outros.

    Educamos e somos educados em um entendimento centrado no homem branco cis [pessoas que se identificam com o gênero que é designado quando nasceram], vide nos livros e publicações, a referência dentro da evolução humana nunca é diversa, continua sendo representada do macaco ao homem [branco, cis, com idade média “produtiva”, magro, forte, entre outros marcadores]. Repetimos a produção de um padrão de humanidade que é, por sua essência, discriminatório. Mulheres, deficientes, idosos e outros grupos majoritários, que são minorizados, não se veem representados nesta e em outras imagens.

     Não há reconhecimento, não há representação e, quando há, são justamente referências negativas, estão vinculados com estigmas e, por isso, desvalorizados pela população. A partir disto, a sociedade odeia e cada ser humano reproduz esse mesmo ódio, uma pessoa odiada também odeia, bem como aos seus semelhantes. O ódio direcionado a si mesmo se estabelece e fortalece as distâncias que foram estabelecidas há tantos anos. Atingimos um lugar altamente pulverizado, no qual a compreensão do que se estabeleceu, e do que continua sendo perpetuado não é perceptível, estamos alienados, enxergamos pequenas partes, não entendemos o todo. Para as pessoas pretas se faz necessário aceitar-se negras, mas acima disso celebrar-se negras.

    O embranquecimento perpetua-se em todas as camadas e com isso reforça sua continuidade. O poder é embranquecido, a beleza é embranquecida, a cultura é embranquecida. Faça uma autoavaliação: quais são as suas grandes referências em autores, atrizes, poetas, líderes, CEOs e outros profissionais? O embranquecimento está em tudo. Dos fornecedores e marcas que você compra, aos lugares que frequenta, até as relações de amizade que estabelece. 

     Já entendemos que racismo no Brasil é fenotípico, caracterizado tão e exclusivamente pela estética das pessoas. Como a música Alegria da Cidade de Margareth Menezes: “Minha pele é linguagem e a leitura é toda sua”; é a cor, o cabelo, os traços que são entendidos como brancos, mais próximos dos brancos ou negros. E, com isso, outro fenômeno perverso surge a “passabilidade”, marcada pelos pseudo privilégios dos pretos de pele clara perante aqueles de pele retinta e traços  afrodescendentes. Essa dinâmica toma dimensões assustadoras, quando nos deparamos, por exemplo, com o censo de 2019 que afirma que um jovem negro morre a cada 23 minutos no Brasil.

    Confundimos direito com educação, subvertemos valores e a valorização, por exemplo as culturas ancestrais – nas quais os anciões são pessoas sábias e, por isso, prestigiadas com cuidado e espaço para compartilhamento do seu conhecimento, como ocorre com os povos indígenas, – foram substituídas por uma sociedade que descarta as pessoas mais velhas. Tentamos ao máximo descaracterizar a idade, minimizando rugas, cabelos brancos e outros traços, até o momento em que enquadramos essa pessoa em um papel secundário dentro da conjuntura familiar e comunitária. O escritor Amadou Ampatabá (1901-1991) já dizia que “o ancião é um livro em que suas páginas estão sendo levadas pelo vento” e, dentro da nossa dinâmica frenética de ascensão e acúmulo, nem percebemos que algumas coisas se esvaem para sempre. 

   Como o saudoso ativista dos direitos civis e humanos Abdias Nascimento (1914-2011) afirma, a “matemática” social é básica, para apenas algumas vidas serem importantes, outras precisam ser desimportantes. E neste entendimento inclusive as pessoas brancas antirracistas continuam com seus privilégios, elas herdam essa condição e são tratadas diariamente a partir desta construção social coletiva. Todas as pessoas brancas são beneficiárias, o que elas podem e devem escolher é não ser signatárias, ou seja, que elas atuem de forma consciente para ressignificar a segregação que ainda existe pela raça, destinando inclusive o seu lugar de poder e privilégio para o outro. Quantas vezes diante de uma vaga, de uma oportunidade, você se privou de ocupá-la para que ela fosse disponibilizada para uma pessoa de um grupo minorizado? Sim, nós humanos também temos disso, ora não reconhecemos o racismo, ora ao verbalizá-lo como uma realidade. Sempre aguardamos a reparação social pelo outro e estamos constantemente nos esquivando das nossas responsabilidades que foram herdadas assim como os nossos privilégios. 

     Uma pesquisa muito interessante aponta que 81% dos brasileiros declaram que o nosso país é uma sociedade racista e ao mesmo tempo apenas 11% reconhecem ter atitudes racistas. Todo mundo sabe que o racismo existe, mas o difícil é encontrar o racista. A branquitude atua de forma subjetiva, como um pacto não verbalizado, mas que está lá, nos olhos dos avaliadores, nos ouvidos dos entrevistadores e na decisão dos contratantes, que continuam a perpetuar os mesmos padrões de escolha e promoção. Quantas vezes você pode ter sido racista apenas hoje, pelo seu pensamento, olhar, expressões, escolhas e tantas outras atitudes do cotidiano?

    O racismo não é desconstruído sozinho. É um mal social coletivo, e a branquitude herdou isso. Exterminar a branquitude fala sobre a eliminação do sistema de manutenção do privilégio estabelecido – que se materializa nas práticas cotidianas que sustenta o privilégio branco -, e não sobre cada ser humano de pele branca. Assim como exterminar a negritude é sobre eliminação de um grupo social com a destituição de direitos e não sobre cada ser humano de pele preta ou parda. Estamos nos referindo à exterminação da injustiça. Uma pessoa letrada pode aplicar este conteúdo de acordo com as demandas sociais, como você tem contribuído para que a diversidade racial seja uma referência positiva, em vez de uma mancha triste que se perpetua na nossa história com seu consentimento?   

Este artigo foi construído a partir das reflexões, falas, participações e conteúdos promovidos durante o curso “letramento racial”, ministrado pela professora Dra. Bárbara Carine Soares Pinheiro (@uma_intelectual_diferentona).

Para se aprofundar, a partir da perspectiva negra:
Discutindo a mestiçagem no Brasil de Kabengele Munanga

Negritude de Kabengele Munanga
Dispositivo de racionalidade de Sueli Carneiro
Tornar-se negro de Neusa Santos Souza
Pele negra, máscaras brancas de Frantz Fanon
O pacto da branquitude de Cida Bento
O genocídio do negro brasileiro de Abdias Nascimento
Racismo Estrutural de Sílvio de Almeida

Para se aprofundar, a partir da perspectiva de outros grupos:
Entre o encardido, o branco e o branquíssimo de Lia Vainer Schucman

“Eles combinaram de nos matar, mas a gente combinamos de não morrer.” 

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Conexão e cuidado: plantar, regar e florescer

Por que ainda somos tão inconscientes sobre a interdependência e a conexão que há entre tudo e todos? Por que será que não temos a dimensão sobre a importância e os benefícios do autocuidado, de estabelecermos relações interpessoais eticamente cuidadosas e de convivermos de forma respeitosa com a natureza? Essa são indagações que me faço frequentemente.

Vivemos os movimentos dos ciclos das nossas vidas, alguns mais favoráveis, outros nem tanto. Ciclos que nos convidam a evoluir, a avançarmos para estar melhor amanhã do que estamos hoje. Cada ciclo tem seu aprendizado. Cada atitude que empreendemos, inclusive as pequenas, constroem o nosso futuro e podem facilitar até os ciclos mais desafiadores. Plantar. Regar. Florescer.

Atitudes inconscientes e desconectadas do que realmente intencionamos, não trazem florescimento e, por isso, não contribuem com a nossa evolução. O piloto automático que permitimos que ocorra em nossas vidas repetidas vezes, traz com ele o risco de deixarmos o ‘cultivo’ de lado. Na construção de um futuro sustentável, a nossa qualidade de presença pode ser a chave para cuidarmos e regarmos o que realmente desejamos, para percebermos a potência das conexões.

A vida, tal qual a natureza, não tem a hora exata do desabrochar, do amadurecer. O tempo para as coisas acontecerem pode não ser o tempo que projetamos. A ansiedade e o imediatismo, muitas vezes, nos tira o foco. Eu te convido a refletir:


– Em sua vida, quais são as sementes que você genuinamente deseja plantar?

 

Tendo clareza de quais elas são, vamos seguir refletindo:

 
– Você já deu o primeiro passo para materializar essa intenção?


Em seguida, convido você a investigar sempre de forma curiosa e amorosa:

 
– Qual é o foco e a disciplina com que nutre essas sementes? Tem regado periodicamente, mesmo nos dias mais desafiadores?
 

Plantar. Regar. Florescer. Com cuidado, disciplina e conexão nós chegamos lá!

 
Era final de tarde. Voo tranquilo, pouso calmo. Aproveitei cada minuto das três horas de voo para colocar o sono em dia. O avião pousa em uma área remota e, por isso, demanda um ônibus, subo nele para chegar até o desembarque. De repente, um barulho ensurdecedor. Uma mãe entra com seus dois filhos neste mesmo ônibus. A menina, filha mais velha, acomoda-se calmamente em um dos assentos, mas está nitidamente incomodada com a atitude do caçula. Ele deveria ter uns três ou quatro anos e grita desesperada e repetidamente: “seca, seca, seca.” Percebo o semblante da mãe. Desconsertada, ela nada fala. Uma mulher pergunta se ele deseja se sentar, mas antes mesmo de ceder o lugar para a criança, a mãe envergonhada diz que não, que ele não queria sentar-se, ele queria ‘secar’. Explicou que o menino havia derrubado água na calça.
 
Da minha perspectiva e ainda sem conseguir conectar ao certo o que deveria estar sentindo o pequenino, pensei – ‘está calor’, não seria agradável estar um pouco molhado? Mas ele continua e os gritos se fazem cada vez mais altos.: ‘seca, seca, seca.’ A irmã finge nem ouvir, mas a mãe fica com o semblante cada vez mais fechado. Sem olhar para o menino, ela repete – ‘já vai chegar’. Tenta mudar o foco de atenção do garoto mostrando os aviões que estão na pista. E os gritos não cessam, pelo contrário, ele parece gritar cada vez mais alto.
  
De repente, aparece uma moça, estatura média, bem magrinha. Ela abaixa para ficar na altura do menino. Ele parece ignorar o sorriso dela. Ela diz em voz alta tentando se fazer ouvir: ‘eu tenho um superpoder. O menino para de gritar uns três segundos, mas logo continua, ainda mais alto. Penso que ela vai desistir, não teve êxito.
 
Achei interessante a tentativa. Para minha surpresa ela não desiste, continua: ‘eu tenho um superpoder e você também tem, quer saber qual é?’ E ele responde: ‘não tenho não e nem você.’ Ela insiste. ‘Está vendo a minha calça? Estava molhada e eu consegui secar com o meu superpoder. Você também consegue. Nós, super-heróis, temos esses superpoderes. Toma cuidado para as pessoas não nos reconhecerem aqui, não estamos com as nossas capas.’

O menino começou a prestar atenção. Um alívio se deu. O semblante da mãe já não estava tão tenso. E a moça continuou: ‘feche seus olhos, pense no que você deseja com muita vontade, conte até dez e depois você não vai mais sentir que está molhado.’ A moça pacientemente começou a contar e ao fim disse: ‘Pode abrir os olhos. Você sentiu? Viu como melhorou? Você é um super-herói!’ Como se o sol nascesse após um dia cinza e chuvoso, um sorriso se abriu. E o grito de desespero, deu lugar a uma linda manifestação de alegria – ‘mãe, eu sou um super-herói!’.  

 

Confesso que entrei em flow com essa cena. Aliás, flow é aquela sensação de quando você está totalmente absorvido por uma atividade, onde você fica 100% focado, sem perceber o tempo passar e sem se dar conta de tudo o que está acontecendo ao seu redor. Eu torci por aquela super-heroína, como se eu tivesse em uma superprodução de Hollywood. Senti o desejo genuíno que ela demonstrou ao amparar aquela criança. Ela não o julgou, mas gentilmente, saiu da sua perspectiva de um adulto racional, para uma diferente, não menor ou inferior, apenas diferente. Plantou uma semente. Não desistiu, esteve ali, conectada, presente, atenciosa, regando, insistindo. Após o olhar de consentimento da mãe, parecia não se importar com mais nada a seu redor. Apenas com o garotinho. Ela semeou, regou e floresceu. A gargalhada de satisfação que ela deu quando o pequeno disse que era um super-herói denunciou uma alegria contagiante. Ela nos fez acreditar que todos nós temos superpoderes. Plantar. Regar. Florescer.

 

Nesta interação e intenção genuína, aprendi um pouco mais sobre cuidado e conexão. Ela poderia seguir o seu curso até o desembarque, eram poucos minutos ouvindo os gritos, cada um tomaria seu rumo e tudo ficaria bem. Mas existem pessoas que se desafiam a ir além, conectando com as possibilidades que a vida apresenta. De repente, eu senti tudo, absolutamente tudo conectado! A energia gerada na intenção daquela moça, moveu muita coisa naquele ônibus. Passageiros que agora podem florescer mais por estarem conscientes do superpoder do cuidado e da conexão,Plantar. Regar. Florescer.

 

Moça do ônibus, onde quer que você esteja, saiba do meu desejo de que você tenha sempre bons motivos para sorrir e dançar nesse jardim que é a sua vida, o qual você demonstrou estar cultivando e regando tão bem. Aproveite o florescimento!

 

Não por acaso, uma das minhas empresas, a que eu cofundei com Claudia Serrano e tenho hoje também como sócia, Marília Camargo, a Arquitetura RH, tem os seus C ‘s como valores chave. Colaboração, Coerência, Coragem, Confiança, Cuidado e Conexão. Acreditamos que essas atitudes podem melhorar o mundo.

 

Eu acredito que a sustentabilidade que tanto desejamos possa ser cultivada com pequenas atitudes como a dessa moça. Sustentabilidade começa agora. Com a consciência do presente e do quanto você contribui e impacta. Quais sementes você tem plantado? Quais das suas atitudes tem regado essas sementes? Plantar. Regar. Florescer.

 
Não basta PLANTAR
Você precisa saber como REGAR.
Uma simples atitude
Faz surgir uma grande virtude.
 
É da intenção presente no CUIDAR
Que uma incrível CONEXÃO pode dar.
Colher é como renascer
E sustentar um novo amanhecer.
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A responsabilidade do poder no contexto da gestão

Quem é o agente da ação nesse contexto?

Diante da variedade de definições que envolve a conceitualização dos elementos que compõe o tema deste texto – em especial o poder – vale a pena refletir sobre a relação que há entre eles e seus agentes e a quem, de fato, pertence a responsabilidade nesse contexto. Quando lemos – a frase “a responsabilidade do poder” – percebemos a posição desse termo (poder) como agente portador da responsabilidade, o que nos leva a “acreditar” que em decorrência desse encargo, todos os outros movimentos acerca de tudo que envolve o desenvolvimento de uma empresa lhes serão diretamente atribuídos, tornando-o um elemento independente. O poder nasceu com a vida e a responsabilidade, diante das circunstâncias, acontece todos os dias no decorrer dela, por isso estão presentes nas relações humanas e sociais – quaisquer que sejam elas – possibilitando e promovendo o desenvolvendo pessoal e profissional.

No sentido da palavra, poder e gestão são muito semelhantes. Eu diria que são sinônimas uma da outra, pois quando pensamos na palavra gestão, logo nos vem à cabeça cargos de gerência, diretoria, presidência, que são os chamados “cargos de confiança” e, a eles associamos automaticamente, a prática de quem manda, de quem determina e de quem dar as ordens – a prática da governabilidade – É justamente essa prática que seduz e fascina indivíduos de pouca ou nenhuma autoestima, pois ela vem precedida de poder e, de acordo com a nossa cultura, ter poder é sem dúvida ocupar cargos de alto nível, pois entende-se que quanto maior o cargo, maior o poder. É pressuposto que haja nessa relação uma confusão de ideais, de modo que as pessoas não estão mais em busca do cargo como objetivo profissional de se tornarem pessoas bem-sucedidas, pelo contrário. Sem se importar com o caminho a ser percorrido, estão ansiosas para chegar é até o tão “sonhado poder”, onde o cargo passa a ser apenas um meio para alcançá-lo e quando isso acontece, o cargo vira objeto de apoio para a ostentação da autonomia que agora exerce sobre seus liderados.

Algumas pessoas, para as quais são destinados cargos de gestão (gerente/líder) não estão prontas para lidar com a magia do poder e por conta disso têm suas responsabilidades corrompidas, o livre arbítrio tende a ficar mais aguçado e por este motivo acabam contaminando o ambiente de trabalho com posturas inadequadas e “atitudes nocivas”. Vivemos um momento onde mudanças ocorrem muito rapidamente e para sobreviver a elas, muitas empresas precisam adequar-se às novas exigências – uma delas é o aprimoramento da relação entre líderes e colaboradores. Certamente as empresas devem capacitar seus colaboradores e, se atentarem para o objetivo de cada um deles, oferecendo a eles oportunidades de entenderem a importância da relação de parceria que há entre liderar com poder e responsabilidade. Portanto, as relações patrão-empregado não podem ser administradas de forma empírica, pois quando se conhece o destino fica mais fácil traçar o caminho para chegar até ele. É indispensável a implantação de uma gestão participativa onde poder e decisões possam ser distribuídos na mesma proporção que as tarefas e as responsabilidades. Ou seja, quando a gestão está completamente envolvida com direitos e deveres, ninguém fica à deriva.

“Somos submetidos pelo poder à produção da verdade e só podemos exercê-lo através da produção da verdade”. Destacar a importância da relação que há entre responsabilidade e poder no contexto da gestão Institucional é fundamental, pois numa gestão inconsciente a responsabilidade fica submetida a cada movimento do poder e se anula diante de suas ações autonômicas. De maneira conotativa, ouso dizer que responsabilidade – frente a omissão do gestor/líder – “pertence” ao poder, porém, no contexto da gestão, responsabilidade deve pertencer ao bom senso, à prudência, e ao discernimento do gestor/líder, sem perder de vista, a ética. O poder é uma ferramenta de cunho transformador e quando bem utilizada é essencial às nossas vidas. Ora, o poder não é específico apenas atende as especificidades de pessoas que o comanda, e involuntariamente assume a personalidade de seus agentes. O poder é um bem natural, é como um líquido que assim com a água segue qualquer curso que lhe oferecem. Não possui forma própria, apenas assume a forma do recipiente onde estiver contido. As pessoas, são os recipientes que o define.

Ao assumir um cargo de gestão todo profissional deveria se autoavaliar para ter ciência de suas ações e alinhamentos de compromisso e obrigações que deve ter para com os valores e missão da empresa e seus subordinados. Para tanto, é preciso que saímos do nosso próprio eu para nos olharmos de fora e categorizar nosso nível de preparação, avaliando se nossas contribuições são suficientes para enfrentar os desafios que o próprio cargo nos oferece. No contexto da gestão, não existe responsabilidade sem poder, mas o poder sem responsabilidade é fato. Sem dúvida, liderar um cargo de alto nível – antes de mais nada – é liderar pessoas, poder e responsabilidade. O agente da ação neste contexto? Uma gestão compartilhada que prese por valores e princípios e pelas necessidades da sua equipe.

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